Stafin & Carvalho

 

A Reforma Tributária do consumo trouxe mudanças estruturais relevantes no modelo de arrecadação dos tributos estaduais, especialmente no que se refere ao ICMS. Com a substituição gradual desse imposto pelo novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), diversos benefícios fiscais concedidos pelos estados tendem a ser reduzidos ou extintos ao longo do período de transição, o que exige atenção redobrada das empresas que estruturaram suas operações com base nesses incentivos.

Para mitigar impactos econômicos abruptos e preservar a segurança jurídica, a legislação complementar da reforma previu mecanismos de compensação financeira voltados às empresas que efetivamente usufruíram de benefícios fiscais de ICMS concedidos mediante contrapartidas relevantes.

Direito à compensação e requisitos legais

O direito à compensação não é automático. Ele está condicionado à existência de benefício fiscal formalmente concedido até a data-limite fixada pela legislação e, sobretudo, à comprovação de que esse incentivo foi atrelado a contrapartidas reais, como investimentos, geração de empregos ou expansão de atividades econômicas.

Benefícios baseados apenas em requisitos formais ou obrigações acessórias, sem impacto econômico concreto, não se enquadram no modelo compensatório previsto na reforma. A análise, portanto, será individualizada e dependerá da documentação que comprove a efetiva execução das contrapartidas assumidas pela empresa.

Procedimento e análise pela administração tributária

A compensação deverá ser precedida de um pedido formal de habilitação, que será analisado pela administração tributária federal. Nesse procedimento, caberá à empresa demonstrar a validade do benefício, o cumprimento das condições impostas no ato concessivo e a regularidade fiscal.

A autoridade competente poderá deferir o pedido, solicitar esclarecimentos adicionais ou, eventualmente, indeferi-lo, hipótese em que será possível a adoção das medidas administrativas cabíveis. Trata-se de um processo técnico, que exige organização prévia e leitura cuidadosa dos atos concessivos estaduais.

Importância do planejamento tributário na transição

Diante da complexidade do novo sistema e do caráter temporário da compensação, o planejamento tributário assume papel central. A identificação antecipada dos benefícios vigentes, a análise das contrapartidas assumidas e a preparação da documentação adequada são medidas essenciais para evitar perdas financeiras e assegurar o aproveitamento dos direitos previstos na legislação de transição.

A Reforma Tributária não elimina, por si só, os efeitos econômicos dos incentivos de ICMS, mas redefine a forma como eles serão tratados. Nesse cenário, empresas que se anteciparem e estruturarem corretamente seus pedidos de compensação estarão mais bem posicionadas para atravessar o período de mudança com maior previsibilidade e segurança jurídica.