A Reforma Tributária trouxe uma nova decisão para empresas optantes pelo Simples Nacional: permanecer integralmente na sistemática tradicional ou avaliar a adoção do regime híbrido para o IBS e a CBS. A relevância dessa escolha aumenta diante do cronograma já definido pela Resolução CGSN nº 186/2026, que estabeleceu o período de 1º a 30 de setembro de 2026 para o exercício da opção, com produção de efeitos a partir de 2027.
Embora a mudança só passe a gerar reflexos práticos nos próximos anos, empresas que pretendem avaliar essa alternativa precisam iniciar suas análises com antecedência. Isso porque a decisão envolve não apenas aspectos tributários, mas também impactos comerciais, operacionais e estratégicos para o negócio.
O que muda com o regime híbrido
No modelo tradicional do Simples Nacional, os tributos são recolhidos de forma unificada por meio do DAS. Já no regime híbrido, a empresa permanece no Simples para os demais tributos, mas passa a recolher o IBS e a CBS fora dessa sistemática.
O principal reflexo dessa escolha está na geração de créditos tributários para os clientes. Enquanto no modelo tradicional o crédito tende a ser reduzido, o regime híbrido permite uma aproximação maior da sistemática aplicável às empresas submetidas ao regime regular.
Por esse motivo, a análise costuma ser especialmente relevante para empresas que realizam operações predominantemente entre pessoas jurídicas.
Não existe uma resposta única
A decisão não deve ser tomada apenas com base na carga tributária. Em muitos casos, fatores comerciais podem ser tão importantes quanto os aspectos fiscais.
Entre os principais pontos que merecem avaliação estão:
- perfil dos clientes;
- volume de operações B2B;
- margens de lucro da empresa;
- contratos atualmente vigentes;
- posicionamento dos concorrentes no mercado.
Dependendo da estrutura do negócio, o regime híbrido pode representar uma vantagem competitiva relevante. Em outros casos, a manutenção da sistemática tradicional pode continuar sendo a alternativa mais eficiente.
O que as empresas devem fazer antes do prazo
A proximidade do prazo torna recomendável que as empresas iniciem desde já a análise dos possíveis cenários. Simulações financeiras, revisão de processos internos e avaliação dos impactos comerciais podem fornecer uma visão mais clara sobre os efeitos da decisão.
Mais do que uma escolha tributária, a definição entre DAS tradicional e regime híbrido envolve estratégia, competitividade e planejamento. Por isso, quanto mais cedo a avaliação for realizada, maior tende a ser a segurança na tomada de decisão.

